Como interpretar um histograma na fotografia

Uma bela foto é capaz de encantar e de traduzir sentimentos e impressões de quem fotografou. Na hora de aproveitar o melhor ângulo, bem como a melhor luz, fotógrafos profissionais, e até mesmo amadores, têm a possibilidade de utilizar diversas ferramentas, uma vez que a atividade da fotografia foi facilitada com a chegada das câmaras digitais. Na hora de controlar os efeitos de luz e sombra, a tonalidade das cores e a sua luminância, uma ótima ferramenta é o histograma, que pode ser consultado diretamente na máquina fotográfica, caso ela possua esse recurso ou, em alternativa, num programa de edição de imagens, como o Photoshop. E, ao contrário do que possa parecer, interpretar um histograma é mais fácil do que se imagina.

O que é um histograma e para que serve?

O histograma é um gráfico que poderá aparecer de várias formas diferentes, dependendo de como a foto foi tirada e o tipo de histograma a ser analisado. O histograma é um dos responsáveis por medir a quantidade exata de luz e sombra de uma fotografia, para além de ter outras funções. Nas máquinas profissionais, costuma aparecer ao pressionar o botão que mostra os detalhes da imagem – consulte o manual da sua máquina fotográfica para obter a localização exata. Através do histograma, o fotógrafo poderá encontrar o equilíbrio para que as suas fotografias não fiquem nem muito escuras, nem muito claras, bem como quais as cores a serem destacadas, uma vez que tudo depende muito do efeito pretendido.

Como interpretar um histograma?

A forma prática para o uso do histograma pode ser percebida através da sua visualização no monitor da câmara onde, até mesmo antes de tirar a foto, já é possível consultar o histograma e avaliar se a fotografia irá resultar de forma muito clara ou muito escura. Avaliar o histograma depois de tirar a fotografia é igualmente prático, o que permite correções e ajustamentos e uma nova fotografia, em busca do resultado final pretendido. Para interpretar corretamente um histograma, é necessário conhecer os três tipos de histogramas existentes: histograma RGB, histograma de luminância e histograma de cor.

Histograma RGB

Para aprender a interpretar um histograma RGB – o mais usado dos três – é preciso perceber a composição da imagem: cada fotografia digital é constituída por pixéis, sendo que são esses os responsáveis pelas áreas claras e escuras das fotografias. O histograma RGB representa essa imagem em formato de gráfico, com dois eixos distintos denominados x e y, onde x representa os tons das imagens e y a quantidade de pixéis existente em cada uma. Vale ressaltar que os pixéis também são divididos em escalas distintas, sendo que a primeira vai de 0 a 255 – quando uma imagem atinge o nível 0 significa que a foto está totalmente escurecida, já no nível 255 está totalmente clara. A outra escala prende-se com o cinza médio, que é conseguido quando o nível da fotografia atinge o ponto 127. É muito importante conhecer estas especificações na hora de interpretar um histograma RGB, uma vez que são vertentes fundamentais do gráfico.

A importância das cores no histograma RGB

O segundo passo para uma boa interpretação de um histograma RGB está relacionado com as cores que são, na realidade, uma combinação de três tonalidades: vermelho, azul e verde. Cada pixel é formado por uma combinação própria de cor, ou seja, cada cor é uma combinação das cores básicas. Como cada fotografia possui tonalidades próprias, cada uma conta com um histograma diferente, ou seja, é impossível estabelecer uma fórmula ou padrão único onde todas as imagens poderão ser encaixadas. Na hora de interpretar um histograma, é sempre importante ter em conta o real objetivo do fotógrafo, uma vez que não existe certo ou errado na arte de fotografar.

A importância do high key e low key no histograma RGB

O histograma RGB pode ser dividido em duas categorias: “high key” e “low key”. Um histograma RGB é considerado “high key” quando a fotografia tiver a predominância de cores claras – uma foto feita sob forte luz, sem a preocupação de escurecer determinados pontos terá um histograma “high key” e, nesse caso, o gráfico mostrado contará com mais pixéis a partir do meio e até o lado direito.

Ao contrário do “high key”, o “low key” é marcado pela predominância de partes escuras e, nesse gráfico, os pixéis irão concentrar-se a partir do meio e até o lado esquerdo. O equilíbrio numa fotografia é conseguido, na maioria das vezes, quando a concentração de pixéis está localizada no centro do gráfico, mas podem existir casos em que essa medida poderá deixar a foto desfocada ou sem a qualidade pretendida. Cada fotografia é uma fotografia!

A maior parte das máquinas fotográficas atualmente existentes no mercado aceita melhor o histograma “low key”, uma vez que nesse caso o excesso de claridade é evitado, mesmo que existam grandes espaços escuros, o que não acontece quando o histograma é programado para “high key”.

Alguns fotógrafos profissionais costumam afirmar que é mais fácil trabalhar uma imagem que não foi exposta às cores claras, do que o contrário, pois, mesmos os programas mais sofisticados não conseguem recuperar as fotos com muita claridade ou estouradas.

 

Histograma de luminância

Outro tipo de histograma é o de luminância e, embora seja menos usado do que o de RGB, muitos profissionais consideram-no mais preciso na hora de perceber a luminosidade de uma fotografia. Nesse caso, é produzida uma tabela composta por retângulos, onde de um lado fica posicionada a cor azul e as restantes cores assumem gradualmente a tonalidade verde. Para interpretar um histograma de luminosidade, é necessário converter cada pixel da imagem em luminosidade, sendo que cada uma das cores do pixel irá receber uma nota percentual, tendo como base a afirmação que o verde possui um valor de 59% de luminosidade, enquanto o azul possui 11% e o vermelho 30%. Ao converter todas as cores para o gráfico de luminosidade, é possível medir a quantidade de cada uma das cores dentro da fotografia, algo parecido com o que acontece quando os pixéis são analisados. A partir dessa conta, feita por um programa de edição de imagem, ou pela máquina fotográfica, é possível interpretar a quantidade de cada cor dentro da imagem: o gráfico produzido irá constar a predominância de cada cor base, bem como o percentual para cada uma delas.

Histograma de cor

Diferente dos outros dois histogramas, o histograma de cor é o responsável por analisar apenas uma cor específica de cada vez, sendo ideal na hora de descobrir se alguma tonalidade está ou não cortada na imagem. Um bom exemplo para testar a usabilidade do histograma de cor é no momento de fotografar um objeto sob uma luz forte direta. Nesse caso, é possível que algumas partes desse objeto sejam “desbotadas” pela luz forte, sendo que outra cor possa ser destacada e o histograma de cor irá fazer uma análise de cada cor individualmente, apresentando ao fotógrafo um relatório. Essa análise também pode ser feita de modo parcial pelo histograma RGB, porém, esse não mostrará se o efeito ocorreu em todas as cores, ou em apenas alguma das cores – essa precisão só será alcançada através do histograma de cor. A tabela apresentada no histograma de cor irá mostrar exatamente qual foi a cor que apresentou mudanças na fotografia final.

RGB vs Luminância vs Cor

Interpretar um histograma é saber exatamente o ponto de equilíbrio das imagens, sendo fundamental na hora de conseguir uma fotografia de qualidade. O tipo de histograma que deve ser usado vai depender essencialmente daquilo que o fotógrafo quer ressaltar: se o objetivo é manter o equilíbrio entre as áreas claras e escuras, o histograma RGB é, sem dúvida, o mais indicado. Porém, se o objetivo for analisar as demais cores, o histograma de luminância é o ideal, uma vez que vai mostrar exatamente a percentagem de cada cor na fotografia. Já se o efeito pretendido é primar por cores fortes e sem cortes, o recomendado é usar o histograma de cor. Nada como experimentar cada um!

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